Circuito Cultural Gandarela





























Ademir Martins Bento

Ademir nasceu em Caeté, no dia 09 de julho de 1946.
Estudou no SENAI, na antiga Cia. Ferro Brasileiro, fez curso de contabilidade e, mais tarde, lecionou contabilidade. Trabalhou na Rural Mineira, subsidiária da Ferro Brasileiro responsável pela produção de carvão vegetal. Foi guia de um grupo de geólogos, na Serra do Gandarela, que conhece muito bem. Atuou também como guia para vários estudantes de diversas universidades em trabalhos de campo.
Aposentou cedo devido a problemas graves de pulmão, mas isso não o parou.
Sempre se dedicou à cultura da cidade. Participou de agremiações esportivas, foi marcador de quadrilhas, presidente da banda de música de Caeté, comandou dois programas musicais da rádio WEB MACACA divulgando serestas e o repertório das bandas de música. Idealizou e criou o projeto de resgate da seresta: Sexta feira de lua cheia é noite de Seresta na Praça. Foi um dos criadores do grupo CARNACATU, junto com o Movimento Artístico, Cultural e Ambiental de Caeté (MACACA), resgatando o carnaval de rua na cidade.
Teve atuação marcante também na área ambiental e política. Participou do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas e de seu sub-comitê Águas do Gandarela. Foi vereador.
Ademir é um grande conhecedor das histórias de Caeté e região, parte de seu conhecimento foi registrado em vídeo para manter seu legado.


Albertina Leite Moreira
Nascida na comunidade de Boa Vista, em 1948, é agricultora familiar, quitandeira e doceira.
Teve uma infância sofrida, filha única, perdeu a mãe aos sete anos, foi criada trabalhando na casa de outras mulheres com as quais aprendeu a fazer as quitandas. Aos sete anos vendia batata doce na beira da BR 381, que estava em construção. Casou aos 14, com o registro de nascimento alterado para 1950.
Criou a família como feirante em Barão de Cocais, fazendo rosquinhas, biscoitos, goiabada, para auxiliar a renda da casa. É exemplo de sucessão rural, as filhas e filhos trabalham com ela na produção e na feira, mantendo a tradição.
As quitandas são feitas com produtos da roça, como fubá de moinho água, ovos caipira, leite, frutas, rapadura.
Além das quitandas e doces vendem verduras, frutas, legumes, corante, açafrão, mel.
Uma destas tradições mantidas pela família é o forno de barro, com toda sabedoria de manejo passada entre gerações.
Mestras e Mestres


Antônio Maria Claret Chagas
Natural de Caeté, Antônio Maria Claret Chagas, nascido em 10 de maio de 1946, representa a quinta geração de uma família dedicada ao ofício farmacêutico, atravessando o século XX e perdurando até os dias atuais. Ele também representa uma memória viva das histórias do município de Caeté.
Para manter viva a memória do ofício criou a Associação Cultural do Museu da Pharmacia Ideal, que mantém, de forma autônoma, o museu de mesmo nome. O Museu da Pharmacia Ideal reúne em seu acervo: mobiliário, frascos de substâncias químicas, equipamentos como guilhotina, prensa, balanças, e outros instrumentos empregados na trituração, extração e produção de tinturas, pomadas e outros formulados tradicionalmente usados na época.
Sobre o exercício da profissão conta que no início os remédios eram importados, o que tornava o acesso difícil. Frente à dificuldade de importação de remédios, a partir das plantas medicinais disponíveis eram produzidos localmente. No passado, na ausência de médicos, os farmacêuticos receitavam e faziam pequenas cirurgias.
Claret, como é conhecido, lamenta a falta de apoio para manutenção do museu.


Cláudia Albertina de Pinho
Nascida em Caeté, em 05 de dezembro de 1964, Cláudia é professora e atual secretária da Associação Cultural Carnavalesca Carnacatu.
O carnaval sempre esteve em sua vida. Ela é a quarta filha dos seis filhos de Dulce Maria de Pinho e Raimundo Liberato de Pinho, conhecido como Raimundo Maracatu. É a única dos filhos que permaneceu em casa e sempre acompanhou a movimentação carnavalesca animada por eles.
O pai foi responsável por trazer o Maracatu para Caeté, juntamente com os bonecos gigantes e o Boi da Manta, inspirado por diversas tradições carnavalescas que povoaram sua infância, realizando uma junção original.
O bloco do Maracatu foi um dos elementos do resgate do Carnaval de rua em Caeté. Nos anos 70, foram criados três blocos de rua e a comissão de frente era feita pela Banda do Porco (composta por músicos da banda tradicional da cidade), acompanhada pelos bonecos gigantes – Geni e o Zepelim – pelo Boi da Manta e Raimundo Maracatu caracterizado de toureiro.
Em 2008, com o intuito de alavancar o carnaval tradicional novamente, a Associação Cultural Carnavalesca Carnacatu e a ong MACACA realizaram um projeto resgatando o carnaval tradicional no Centro de Caeté, promovendo oficinas onde as crianças produziram máscaras e após, foi realizado o desfile com o Bloco Maracatu e os bonecos gigantes em torno da praça. Esta mistura original deu origem ao Bloco Carnacatu, carnaval do Maracatu.
Após o falecimento de Raimundo Maracatu, Ademir Martins Bento, quando presidente da associação, que fez e faz o reconhecimento e a preservação das memórias de seu pai, a convidou para integrar a diretoria. Atualmente Cláudia, além de brincar o carnaval, trabalha coletivamente para manter este legado.


Claudimar Aparecida da Paz
Nascida em Barão de Cocais no dia 18 de julho de 1975, Mazinha, como é conhecida, é a terceira geração de cozinheiros da família. Seus avós eram cozinheiros no Santuário do Caraça, seu pai aprendeu com os dele. Ela aprendeu ainda criança, aos 10 anos, a cozinhar e fez disso o seu caminho. Mazinha faz gastronomia. Embora saiba fazer pratos elaborados, sente que sua função aqui na Terra é exaltar a comida mineira. Atualmente estuda Gastronomia no IGA - Instituto Gastronômico das Américas, em Belo Horizonte.
Uma das fontes de renda da família era a criação de porcos e a produção de carne de lata para vender. Com o adoecimento de seu pai, e posterior falecimento, a criação de porcos acabou. A forma que ela encontrou de lidar com a dor da perda foi se inscrever em um curso de produção de biscoitos. Era uma forma de sair de casa. E foi onde ela teve muito incentivo a seguir o caminho da culinária.
Por ocasião de um Jubileu de São João Batista, padroeiro da cidade, foi chamada para fazer biscoito de polvilho frito, que ela faz muito bem e costumava fazer em algumas festas. Começou a trabalhar em barracas nas festas mas as vendas estavam pequenas e entendeu que poderia fazer muito mais, não podia repetir os pratos que já havia na festa. Então criou um prato denominado Angu Caipira, carne de costela desfiada, com angu temperado, queijo, torresmo e cebolinha. Este prato foi um sucesso na cidade. Ela que já era conhecida por ser filha de cozinheiros, passou a ser conhecida regionalmente e as vendas triplicaram com o Angu Caipira. Ela foi convidada a trabalhar como monitora na Cozinha Escola, pelo Instituto Gastronômico Colher de Pau. Posteriormente, foi convidada para dar o curso de Comida de Boteco e se tornou instrutora. Já deu cursos em comunidades de Caeté e de Santa Bárbara. Em Barão, além da Cozinha Escola trabalha dando cursos para idosos: Doce Terapia e Quitanda Terapia.
Em 2023, inspirada na tradição familiar, começou o empreendimento Carne na Lata Mazinha. Procura comprar carne do porco caipira, diretamente de pequenos produtores, embora diga que não está fácil de achar. Fez sucesso, mas está enfrentando, no momento, problemas com o fornecimento das latas.


Cleusa Ibraim dos Santos
Capitã do Congado de Santo Antônio, do Bairro Deschamps, em Caeté, Cleusa é filha do fundador do grupo, Eustáquio Sancho Santos. Antes de falecer, em 2010, seu pai pediu a ela e a um genro para manterem vivo o Congado.
O grupo foi criado em 1993, e registrado em 1996. Junto com o pai, ela, então com 21 anos, sua mãe, Divina Ibraim Santos, e uns poucos vizinhos começaram de forma simples, visitando os presépios nas casas. Eustáquio tocava violão, o vizinho cavaquinho e os demais instrumentos eram improvisados com lata. Assim foram seguindo até conquistar os primeiros uniformes e instrumentos. A maioria dos componentes que atuam hoje são ainda de quando tudo começou: a Rainha com sua família é um exemplo.
Em 2016, seis anos depois da morte do pai, tiveram que dar baixa no registro do grupo porque não estavam conseguindo pagar as despesas com contador, cartório entre outras. Mas Cleusa mantém o compromisso de seguir juntamente com os demais integrantes, com a roupa do corpo se não tiver uniforme, bater palmas se não houver instrumentos. Mesmo morando em Barão de Cocais, ela se empenha em buscar melhorias para o grupo, para manter a tradição. Em toda oportunidade que tem está junto com o grupo, cantando e tocando. Sua maior alegria é estar junto com a sua “família congadeira”.
Apesar de ser protegido como bem cultural de natureza imaterial (registrado) pela Prefeitura de Caeté por meio de Decreto e inscrito no Livro de Registro das Celebrações, o grupo tem pouquíssimo apoio.


Deise Fernandes Corrêa Elias
Nascida em 26 de novembro de 1957, em Rio Acima, Deise é pedagoga, contadora de histórias e figura ativa na vida cultural do município, tendo atuado como Secretária de Cultura.
Já esteve em sala de aula e atualmente, como pedagoga, auxilia projetos escolares de artes (inclusive culinária mineira), musicalização, canto coral, cultivo de ervas para chás, temperos e jardins, oferecendo também apoio na Escola Rural do Cocho D'Água aos professores que queiram buscar informações sobre patrimônio e a alunos atípicos.
Seu pai era servidor público, músico, artesão habilidoso e criativo. A mãe cuidava para que todos saíssem bem na escola e na vida, apoio que ela não teve devido a pobreza extrema, ausência do pai e a necessidade de trabalhar desde a infância para ajudar em casa. Aprendeu de tudo um pouco com eles, que foram fundamentais em sua trajetória.
Deise se destaca desde criança por sua proatividade. Aprendeu a ler e escrever no jardim da infância. No 1° ano se destacava por ser alfabetizada e ajudar os demais alunos, inclusive tendo ajudado a alfabetizar uma colega muda. No terceiro ano veio o despertar para a música, através de uma professora que tocava violão. Além de cantar com ela na escola, Deise cantava em eventos da cidade também.
Quando tinha 9 anos participava do grupo de balizas do Ginásio Estadual para o desfile de 7 de Setembro e mais tarde fez parte da fanfarra desta escola. Aos 12 anos organizava passeios e piqueniques nos arredores da cidade, apanhar frutas (goiabas, mangas, laranjas, coquinhos…). Sempre participou dos grêmios estudantis, dos grupos que organizavam festas, bailes, eventos esportivos e ações comunitárias. Ajudava seu pai a fazer máscaras para blocos de carnaval, ajudava na ornamentação de clubes para bailes, festas e horas dançantes.
Sempre esteve, e ainda está, no meio dos acontecimentos esportivos, festas e comemorações da cidade. Tem muito gosto pelas atividades esportivas, paixão e respeito por tudo que envolve escola, e amor demais pela família e pelo lugar onde nasceu e foi criada.
É grande conhecedora e divulgadora das histórias de Rio Acima, utilizando de sua capacidade didática e musical para levar o conhecimento a diversos públicos. Nas paredes de todas as escolas e nos muros das cidades deixou pinturas que contam a história de Rio Acima e as maravilhas da natureza ao redor.
Aprendeu a buscar compreender os ensinamentos de Jesus que apontam a importância de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Encontrou respostas no Espiritismo, que frequenta desde a infância, no Culto Cristão no Lar e na Casa Espírita Miguel Arcanjo.
Cresceu aprendendo a valorizar e respeitar as pessoas, a natureza e a não se calar diante das injustiças. É apoiadora do Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela.


Dilce Amara Mendes Mota
Nascida em 1957 no distrito de Brumal em Santa Bárbara, pedagoga, pós graduada em Projetos Educacionais, atuou como professora das séries fundamentais ao médio. Foi supervisora, diretora, vice-diretora em Brumal e em Santa Bárbara. É presidente da Associação das Tecelãs de Brumal.
Ativista, é responsável por inúmeras iniciativas no campo ambiental e cultural. Entre eles estão projetos de recuperação de nascentes nas comunidades da região, a Rota Gastronômica de Brumal, o Festival Brumal A-gosto, a Casa das Tecelãs, o documentário Águas de Brumal (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=w1a-6919s4Q&t=239s).
Além dos projetos sociais nos quais atua, é autora de livros e de peças teatrais infantis que visam valorizar e dar visibilidade às riquezas locais como os quintais e a Cavalhada.
Como coordenadora de projetos sociais, em parceria com muitos(as), vem mostrando Brumal para o mundo e trabalhado de forma estruturada para trazer o mundo a Brumal por meio do Turismo e da Economia Criativa.


Ednilson Dias Pinto
Nascido em Caeté, no final da década de 70, se estabeleceu na comunidade rural de André do Mato Dentro, no início da década de 90. Com as mais velhas e os mais velhos de sua família, aprendeu rezas para entrar na mata e benzeções para tirar doenças da criação animal.
É um dos guardiões do saber comunitário da pesca de miroró com impã. Esta é uma forma tradicional em que se utiliza uma vara curta com uma minhoca pendurada na ponta, denominada impã. A impã é imersa nas águas límpidas do córrego à noite, ou então após a chuva, quando a água está suja. O pescador fica com uma vasilha com água na mão. Quando o peixinho belisca a minhoca a vara é levantada e colocada sobre a vasilha. O miroró se solta, cai e fica nadando. Quando o acesso à proteína animal era difícil, essa era uma estratégia de pesca.


Euler Douglas Lage de Faria
Nascido em Raposos em 9 de junho de 1984, Euler é agente cultural, artesão e sacerdote de Umbanda na Casa de Umbanda Boiadeiro Pedra Preta e Vovó Leocádia.
É reconhecido no município e região como artesão habilidoso e confecciona indumentárias como: cangas, coroas, centros e capas de Reinado, roupas e paramentos de entidades da Umbanda e orixás.
Desde 2005, carrega o título de Imperador do Divino Espírito Santo da Guarda de Caboclos do Divino Espírito Santo de Raposos. Mais de duas décadas dedicadas a manter viva a cultura, a religiosidade e as tradições que formam a alma deste município. Segundo ele, cada festa, cada toque, cada trabalho artesanal e cada ritual é fruto de luta, resistência e amor verdadeiro pelo que é nosso.


Eunice Aparecida de Magalhães
Filha de Maria da Conceição Alves Magalhães, carinhosamente conhecida por Dona Nazinha, e Raimundo Calixto Magalhães, mais conhecido por Sr. Dico, Eunice nasceu em 1965. Ela é a atual responsável pela doceria Dona Nazinha, no distrito de Roças Novas em Caeté, dando continuidade à produção artesanal e familiar de doces, iniciada há décadas por seus pais.
As receitas atravessam gerações. Dona Nazinha aprendeu com sua mãe e sete dos seus dez filhos trabalharam na fabricação dos doces. Os doces e licores são feitos de forma artesanal preservando as receitas e o modo de fazer originais, dando continuidade ao trabalho que foi iniciado há cerca de 35 anos. Compõe o cardápio os doces ambrosia, leite com ameixa, mamão em anel, figo, compotas de limão, goiaba e jabuticaba, além de diversos tipos de licores de frutas.
A doceria conquistou fama e se tornou um ponto turístico na região. Além da loja, se faz presente nas redes sociais - @Doces Dona Nazinha -, ampliando seu alcance e promovendo o turismo gastronômico local e regional.


Eustáquio Henrique Dias
Natural de Caeté, nascido em 1993, Eustáquio Dias teve, desde a infância, contato com os costumes e as tradições da cultura sertaneja e do tropeirismo da região. Cresceu acompanhando a lida com os equinos, sob forte influência de seu pai, experiência que contribuiu para o desenvolvimento de sua ligação com a cultura das tranças de couro cru.
Ainda jovem, foi incentivado a desenvolver habilidades no artesanato em couro cru. Aos poucos, foi descobrindo e aperfeiçoando sua vocação para esse ofício, que exige paciência, habilidade manual e dedicação.
A partir da confecção das primeiras peças simples, feitas artesanalmente, Eustáquio buscou o conhecimento com mestre da região, senhor Lulu, reconhecido por sua habilidade como trançador de couro cru. Com determinação, dedicou-se ao aprendizado e ao aperfeiçoamento das técnicas tradicionais, aprimorando o manuseio dos tentos de couro cru e transformando essa arte em uma de suas atividades profissionais.
Posteriormente, manteve contato com artesãos de outras regiões de Minas Gerais, ampliando seus conhecimentos e aprendendo novas técnicas de trabalho, sempre valorizando o saber artesanal e a tradição transmitida entre gerações.
Atualmente, Eustáquio concilia o ofício de artesão com suas atividades como produtor rural, na área de silvicultura, agrônomo e comerciante. É proprietário da Agropecuária Dias, localizada no distrito de Roças Novas em Caeté, onde reside.
Seu trabalho artesanal é realizado de forma manual, desde a preparação da matéria-prima até a confecção das tranças em couro cru. Parte das peças fica disponível em sua loja, mas a produção é realizada principalmente sob encomenda, respeitando as necessidades e as preferências de cada cliente.
Por meio de seu trabalho, Eustáquio mantém viva uma tradição ligada à cultura sertaneja e tropeira, valorizando o conhecimento dos antigos mestres e contribuindo para a continuidade do artesanato em couro cru em sua região. O principal objetivo do seu trabalho artesanal é preservar a tradição de manuseio do couro cru e produzir peças com qualidade, mantendo vivas as técnicas aprendidas com os mestres.


Fátima Rutis Soares
Nascida em André do Mato Dentro, em 12 de setembro de 1964, Rutinha, como é conhecida, é a filha caçula de D. Ervina, parteira e benzedeira. Sua mãe deu à luz sozinha, sem nenhuma ajuda.
Durante toda a sua vida viu a mãe benzendo. Muitas das benzeções foi D. Ervina que ensinou a ela, outras aprendeu assistindo, escutando as palavras, seguindo os gestos.
Após o falecimento da mãe, sentiu necessidade de continuar a benzeção. Começou benzendo seus dois filhos, que cresceram sendo benzidos pela avó e depois benzendo outras pessoas da família. Arriscou benzeções que ainda não havia feito e, com os resultados positivos de suas rezas, foi ganhando segurança. Hoje muitas pessoas, mesmo de fora da comunidade, a procuram.


Geraldo Grigório Ferreira
Nascido em 1955, nas mãos de uma parteira, começou a fabricar os pífanos – flautas de taquara e bambu – ainda criança com os mais velhos da família: seu pai ,José Izaías Ferreira, que tocava e fazia violão, viola e flauta, e seu tio Ananias Venâncio Lopes. O pífano era tradição naquela época. Em Sumidouro, distrito de Santa Bárbara onde ele nasceu, havia uma orquestra de pífanos.
Ainda criança recebeu o apelido de Sabiá por cuidar de um sabiá que foi machucado por um gato.
Quando jovem participava com o pai nas folias de reis e coroação. Parou porque começou a trabalhar na mineração, aos 18 anos. Depois trabalhou em reflorestamento e na prefeitura de Santa Bárbara. Durante este período, fazia flautas esporadicamente, a pedido de amigos. Atualmente é um dos organizadores da Folia de Reis.
A partir de 2018, após um curso, realizado em Sumidouro, passou a se dedicar a fazer flautas e a tocar. Voluntariamente ensina crianças da escola pública. Leva os alunos para conhecer e tirar matéria-prima no mato, aprender a selecionar o bambu e a taquara, a pedir licença e respeitar a natureza.
Além dos pífanos, Sabiá fabrica e toca outros instrumentos como violão e flauta.


Ilda Izabel da Silva Agostinho
Natural de Rio Aciima e nascida em 1963, é artesã participante da Feira dos Produtores naquele município, com atuação em diversas expressões do fazer manual.
Desde criança gostava de artesanato e observando pessoas próximas a a fazer rouoas, fazia roupinhas para as bonecas. Aos 12 anos seu pai, vendo seu interesse, lhe deu sua primeira máquina de costura. Ao longo da vida fez diversos cursos de artesanato. Foi durante a pandemia que começou a se dedicar mais a praticar o que havia aprendido.
Após a pandemia fez um curso se amigurumi (objetos tridimensionais em crochet), destacou-se pela facilidade que tinha e se tornou voluntariamente professora desta técnica, por três anos. Além do amigurumi, faz vasos de cimento e pano, crochê, chaveiros, colares e terços. Também ministra oficinas de miçangas (produção de terços, colares e chaveiros) e crochê.
Participa do Projeto Rio Acima Produz, programa de incentivo da prefeitura local para os produtores da região. Com ele passou também a exercer a arte culinária: faz bolo de fubá com queijo e com goiabada, doces de e geléias. Participa da Festa da Goiaba, com bolo de pote de goiaba com requeijão, e com isso vai desenvolvendo sua criatividade.
Reconhecida como mestre do saber, valoriza a transmissão de conhecimentos tradicionais e a preservação das práticas culturais locais.


Jackson Jorge Caroni Roque
Jackson é fundador e capitão-mor da Guarda de Moçambique do Reino de São Benedito.
A tradição vem de família. Seu avô participava de congado em Santa Maria do Itabira onde nasceu, seu pai também desde jovem e sua mãe foi princesa da Guarda.
Jackson começou na infância, na Guarda de Moçambique do Reino de São Benedito e foi esta memória que estimulou a iniciativa de recriar o Moçambique.
No passado havia duas guardas de Moçambique em Raposos, mas a Irmandade de Moçambique estava encerrada há muitos anos.
Integrantes delas de uniram a Jackson na formação da nova guarda, criada em 23 de junho de 2007.


Jorge da Cruz
Jorge da Cruz, nascido em Raposos nos anos noventa, é artesão.
Trabalhou na Mina de Morro Velho, em Nova Lima, e depois em Raposos. Quando a mina fechou, em 1998, começou a fazer peças sacras barrocas em cerâmica. No início foi uma luta para se tornar conhecido, o que foi facilitado por convites e participação em feiras através de agências como o Centro CAPE e o SEBRAE.
Apesar de ser natural de Raposos e morador, na cidade pouca gente conhece o seu trabalho. Suas peças estão em todo o Brasil. Em Belo Horizonte expõe no Palácio das Artes, no Centro Cultural Gerdau e no Mercado Central. Tem trabalhos espalhados em vários estados do Brasil: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará e Pernambuco.
Suas peças tem um traço autoral tão forte que não precisa de assinatura para ser reconhecido. Costuma participar de duas grandes feiras: a feira de artesanato do Expominas, em Belo Horizonte, e a Feira Nacional de Artesanato, em Recife, que é a maior da América Latina.
Jorge faz peças sob encomenda, já tendo reconhecimento suficiente no Brasil e fora dele, que o faz não se preocupar com a divulgação do próprio trabalho.
Jorge da Cruz (31) 97231-5931 Instagram @jorge da cruz 84


José Ângelo Camilo
José Ângelo Camilo, morador de Barão de Cocais, conhecido pelo apelido de Zé de Mário, desde criança frequentava as festas dos padroeiros pelas mãos de seu pai.
Começou a participar das Cavalhadas como um dos cavaleiros, entre 1959 e 1960. Mais tarde assumiu como um dos embaixadores e se tornou mestre ensinando aos mais novos o trançar das fitas no mastro e as evoluções que os cavalos realizam, sendo responsável pelo treinamento de diversos cavalheiros e embaixadores que dão sequência à manifestação cultural. Tudo isso junto do amigo Divino Lúcio que era seu parceiro, também embaixador, já falecido.
Atuou na festa de Santo Amaro, em Brumal (Santa Bárbara), e na festa de N. S. Mãe Augusta do Perpétuo Socorro, no distrito de Socorro, evacuado em 2019 porque a Vale alegou risco na barragem de rejeitos de Gogo Soco. Foi um dos ativadores da Cavalhada de Socorro participando nela como embaixador por 50 anos. Guarda as memórias históricas desta tradição.
Após a evacuação foi um dos responsáveis pela decisão de manter a festa em homenagem à padroeira de Socorro, indicando o local na estrada acima da comunidade, de onde se avista a torre da capela dedicada à Mãe Augusta. A festa segue sendo realizada, como marco de resistência da comunidade que foi expulsa de seu território. Após a evacuação alterou sua fala de embaixador rogando pelo retorno da santa para sua casa, para Socorro, pois atualmente, a imagem centenária da santa está abrigada na igreja matriz de São João Batista, na sede do município de Barão de Cocais.


Liliana Fátima de Souza
Liliana nasceu em Raposos em 3 de fevereiro de 1980, e sua história está entremeada à tradição do Congado. Participa desde os 8 anos de idade. É filha da rainha Conga Neuza de Fátima da Rocha Reis, e do rei Congo Sílvio de Souza Reis, falecido, da Guarda de Marujos de Santa Efigênia. A guarda de Marujos foi fundada em 1969.
Atualmente é Capitã da Guarda, da qual participam também seu marido, José Ladislau Nepomuceno, como contramestre, e seu filho, Mike Gabriel de Souza Nepomuceno (10 anos), como Capitão Mirim. E assim a tradição vai passando de geração em geração.


Luzia do Carmo Souza Leandro
Luzia do Carmo de Souza Leandro, popularmente conhecida como Dona Luzia, nasceu em Rio Acima. Consta em seus registros a data de nascimento 27 de dezembro de 1946. Todavia, existe uma divergência, a data do seu nascimento foi 13 de dezembro, por isso seu nome em homenagem a Santa Luzia.
D. Luzia, filha de Dona Mariana e Sr. João Folheiro, foi educada com fortes vínculos católicos, o que marca a sua identidade. Participa ativamente da Igreja Católica de Rio Acima. Ao longo de sua trajetória exerceu o Ministério da Eucaristia, foi Coordenadora das Pastorinhas, líder da Pastoral da Criança, participou de diversas Pastorais e Movimentos (Dízimo, Acolhida, Vicentinos e Dizimistas) e também do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus.
Sua ancestralidade materna indígena e paterna italiana marcam a sua trajetória de benzedeira e líder comunitária na comunidade da Vila Duarte, onde se dedica ao cuidado e acolhida ao próximo.
Participou do projeto “Linhas das Montanhas: bordando águas”, sendo autora de uma saia enfeitada com bordados e crochê.


Madalena Mendes dos Santos
Madalena nasceu em Morro Vermelho em 1943, nas mãos de uma parteira, e ali viveu até próximo a completar dez anos. Aprendeu a fazer bolinhos de feijão ajudando sua mãe a fazer, que por sua vez havia aprendido com a sua mãe, Modestina Luisa Moraes.
Maria Augusta das Mercês teve dez filhos, três homens e sete mulheres, destes três faziam profissionalmente o bolinho de feijão. Atualmente apenas Madalena faz. No alto dos seus 83 anos continua ativa, produzindo o bolinho desde a massa, vendendo em sua casa, sob encomenda e também participando de feiras. Além do bolinho frito, ela vende a massa crua e também pastéis.
Começou a vendê-los como complemento de renda quando residiu em Belo Horizonte e o sucesso foi tanto que faziam fila em sua porta. Após se aposentar e retornar a Caeté continuou a fazer.
Sua avó plantava o feijão fradinho, no Morro Vermelho, e também vendia o bolinho e a massa. Madalena compra o feijão fradinho em metades, deixa de molho e mói em um engenho com um motor de tanquinho, adaptado por seu esposo já falecido, que a ajudava na produção.
Ela não faz segredo da receita. Já ensinou a várias pessoas. E está disposta a compartilhar seu saber com quem se interessar. Também ensina os segredos do modo de fazer que seu bolinho seja o mais famoso de Caeté: a quantidade e o tipo de pimenta, a forma de bater para aerar a massa, a temperatura ideal do óleo, molhar a colher ao retirar a massa para fritar de forma a dar formato perfeito aos bolinhos, como retirar e escorrer para não ficar encharcado de gordura.


Maria do Carmo Soares Couto
Nascida em 1964 e criada em André do Mato Dentro, vilarejo rural do município de Santa Bárbara, Do Carmo ,como é conhecida na comunidade, é agricultora familiar.
Cuida com carinho do quintal, com um pomar diversificado, fazendo questão de manter e reproduzir algumas espécies tradicionais, como a laranja campista, o inhame rosa e o milho crioulo. Aproveita bem as safras congelando polpa das frutas de época, e também milho verde. Cuida do quintal de maneira agroecológica. Cria galinhas e vende ovos caipira.
A semente de milho que ela planta vem da mistura que fez entre variedades tradicionais cultivadas na própria comunidade de André do Mato Dentro com outras sementes crioulas que conseguiu na comunidade de Socorro (Barão de Cocais) e no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Bárbara.
Além de plantar ela compartilha a semente, que possui a vantagem de ter grande resistência à seca e ao ataque de pragas.
Do Carmo faz questão de preservar e difundir variedades tradicionais de diversos alimentos e envolve filhos e netos no plantio, cultivando neles o prazer de plantar, colher e comer.


Maria Emília Marques lopes
Maria Emília, conhecida como Dona Lia, nasceu em 28 de novembro de 1956 no local denominado Mato Grosso, na Serra do Gandarela, nas mãos de D. Ervina, parteira residente em André do Mato Dentro. Mais tarde morou no Lopes, pouco acima do vilarejo André, onde havia uma mineração de ferro na fazenda de Manoel do Prado Couto Lopes e um pequeno povoado, que se extinguiu juntamente com a mina.
Seu avô e o pai eram ferreiros, faziam ferraduras, entre outros artefatos. Estudou no André com a matriarca local, D. Alice, que dava aulas na própria casa. Lia recorda a feitura da rapadura quando era criança.
Ajudava a plantar, colher café e moer cana (não havia açúcar). Seu pai faleceu e após a morte trágica de seu irmão aos 15 anos, mordido por uma cobra, sua mãe mudou-se com os filhos para Morro Vermelho.
Lia foi trabalhar em Belo Horizonte. Voltou para o Morro em 1981, onde se casou em 82. Com a chegada dos filhos começou a fazer rosquinhas para gerar renda. Aprendeu as receitas com uma senhora de nome Maria Dorotéia (Téia), que além de lhe passar as receitas passou a ela parte das encomendas que recebia. Vende as rosquinhas por encomenda em BH e Caeté, em comércios do Morro Vermelho e também na feira. Alguns dos ingredientes que usa, como a nata, vem de produtores rurais do próprio Morro Vermelho. Faz rosquinhas de nata, de limão, laranja, coco, abacaxi e fubá, assadas no forno do fogão à lenha.


Maria Evangelista Crisóstomo
D. Ninita, como é conhecida por todos, nasceu em Brumal, distrito de Santa Bárbara, no dia 25 de abril de 1943. Perdeu a mãe aos oito anos de idade. Aos quatorze anos, com a certidão de nascimento indicando dezesseis, casou-se com o Jacob e tiveram sete filhos. Foi lavadeira, vendeu lenha e aprendeu a produzir para o consumo e para venda, para garantir seu sustento e o dos filhos.
Na chácara onde reside até hoje, produzia tudo que era possível para alimentar a família. Em sua casa há um forno de barro onde produz quitandas: biscoito de polvilho, rosquinhas e bolo para o consumo. No quintal ainda se produz de um tudo, como diz: o básico vem do quintal. Tem horta, pomar, colhe e prepara o próprio café; cria galinhas, vende ovos caipira, colorau, açafrão. Na chácara tem uma grande variedade de ervas medicinais entre plantadas e nativas, que aprendeu cedo a distinguir. Com os mais velhos aprendeu a preparar xaropes e garrafadas, farinhas, escalda pés, banhos e, também, a benzer. Com sua sabedoria, simpatias e benzeções já curou e continua curando muita gente.
A arte da benzeção é exercida também por uma de suas filhas, moradora de Brumal, que aprendeu com ela.
Do alto de seus 83 anos, D. Ninita é um exemplo de vitalidade e sabedoria de vida.


Maria Saturnina Ferreira
Nascida em 1949, em Barão de Cocais, é crocheteira desde criança, mantendo uma tradição que é forte no município. Quando criança fazia os próprios brinquedos de pano com a ajuda de sua mãe. Adulta, transformou o crochê e os brinquedos em fonte de renda.
Mãe de seis filhos, começou fazendo ponto cruz em saco de aninhagem, pano de prato, lacinhos de cabelo, vendendo de porta em porta e na porta da escola. Trabalha com tear, crochê, tricot, patchwork e bordados. Destacam-se as roupas em crochê para crianças e adultos. Além de ensinar as próprias filhas ensinou muitas pessoas na cidade.
Acredita que é no coletivo que as pessoas crescem. Há 27 anos trabalha em conjunto na Casa do Artesão de Barão de Cocais, foi uma das primeiras expositoras, e participa de feiras.


Mário Lúcio Aparecido de Oliveira
Mário Lúcio, nascido em Raposos em 13 agosto de 1981, é Capitão Regente e um dos fundadores da Guarda de Caboclos do Divino Espírito Santo.
A Várzea do Sítio, onde vivia com sua avó, é o berço do Congado em Raposos. Mário cresceu vendo todo este movimento do congado, da Guarda de N. S. do Rosário, os ensaios habituais às sextas feiras e a festa do Rosário no segundo domingo de agosto. Conta que sempre foi apaixonado pelos tambores e sempre teve vontade de participar. Ele e as demais crianças brincavam de congado. Sua avó, Raimunda Vieira dos Santos Pinto, conhecida na cidade como D. Diquinha, com a qual morava, sempre o apoiou. Ele organizava uma guarda mirim, se encontravam no quintal de sua avó, que preparava café para todos, como se fosse uma festividade.
Mais tarde, Mário foi integrante de duas guardas, que não existem mais: a Guarda de Moçambique de São Benedito, em sua primeira formação, e a Guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo, do Capitão Oliveira. Quando as guardas acabaram ficou sem participar de congado por um tempo. Depois, conta ele, veio um chamado do Divino Espírito para criação da guarda de Caboclos. Mário se juntou a alguns amigos - Mário, Paulo Roberto, Amauri Ferreira Rodrigues, John Lennon Pereira Olegário - e começaram a pesquisar sobre a Guarda de Caboclos e seus fundamentos. Em 28 de dezembro de 2002, nasceu a Guarda de Caboclos do Divino Espírito Santo.
A Guarda tem aproximadamente 40 componentes entre capitães, caixeiros, dançantes e o Império do Divino Espírito Santo. Ela vem crescendo aos poucos e tem uma grande diversidade de participantes: crianças, jovens e idosos. Sua irmã faz parte da diretoria da guarda e também é dançante. O seu sobrinho, de 19 anos, é o presidente.
Mário é quem dá a manutenção nas caixas e nos tambores e, com o auxílio de componentes da Guarda, confecciona os penachos e as saias, que trazem a cor vermelha e branca do Espírito Santo. Euler Lage, que é o Imperador, é quem confecciona as coroas, cetros, capas do reinado, as bandeiras de guia e de mastro.
A Guarda de Caboclos realiza apresentações culturais e religiosas em louvor a N. S. do Rosário e aos santos pretos, tendo percorrido diversos lugares no estado de Minas Gerais. Participaram do cinquentenário de Brasília representando Minas Gerais, de muitas festas nas redondezas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram diversas vezes para o Norte de Minas nas festas do Rosário. Também recebem diversas guardas em Raposos. Em 2026, receberam 19 guardas na Festa do Divino Espírito Santo


Neusa Celestina Reis Silva
Nascida em Barão de Cocais em 1954 nas mãos de uma parteira, Neusa é descendente de indígenas: bisneta por parte de pai (Puri) e neta por parte de mãe. A avó “bugre” – denominação pejorativa dada aos indígenas – possuía muito conhecimento de cura. Desta herança indígena adquiriu grande conhecimento de plantas medicinais e um amor que a faz estar sempre em busca de novos conhecimentos de cura.
Estuda e cataloga ervas medicinais. Coleta plantas medicinais e cultiva outras em sua casa e no terreno que possui no Córrego da Onça. A coleta na natureza tem sofrido restrições, sendo proibida nos terrenos onde era feita e que hoje pertencem a mineradoras. É procurada por pessoas em sua casa e participa de feiras com seus produtos: artesanato feito com sementes, sais para banho, ervas desidratadas, óleo medicado.
Foi a primeira da família a se formar. Formou-se como Técnica de Segurança do Trabalho e Guia de Turismo Regional. Como agente de turismo possui grande conhecimento sobre a história local, sobre as igrejas e todo simbolismo de sua decoração. Trabalhou com turismo histórico pedagógico e ecológico. Depois passou a guiar passeios como hobby por amar as montanhas, florestas, rios, cachoeiras, animais e plantas.
Seu amor à vida a levou ao ativismo político e ambiental.


Raimundo Hermenegildo das Neves
Nascido em 13 de abril de 1952, no distrito de Fonseca, Alvinópolis, Raimundo teve uma infância sofrida. Fugiu criança de casa devido à violência doméstica. Andou por muitos lugares, trabalhou também em muitas atividades rurais. Não teve oportunidade de frequentar a escola, e adquiriu na vida toda sabedoria que possui. Viúvo da primeira esposa tem filhos.
Em 1977, aos 25 anos, foi trabalhar nas carvoarias em André do Mato Dentro, Santa Bárbara. Período em que havia produção de carvão da mata nativa, para alimentar as usinas metalúrgicas e siderúrgicas em todo o entorno do Gandarela.
O trabalho na carvoaria era um serviço pesado e uma vida sem nenhum conforto. Os carvoeiros residiam em ranchos na Serra construídos de pau a pique, próximos às baterias de forno. Dormiam em catres improvisados, tinham poucos recursos para enfrentar o frio. As funções eram muitas, cortava madeira com machado, enchia os fornos de lenha, descarregava o carvão, enchia caminhões gaiola de carvão. Era preciso acompanhar a queima nos fornos até de madrugada.
Raimundo vivenciou todas as etapas da feitura do carvão, e conhece a evolução da tecnologia, do carvão de balão, passando pela caieira, até os fornos de barranco utilizados hoje. De empregado evoluiu para produção própria de carvão.
Mais tarde, nos anos 90 com produção de carvão encerrada pela promulgação da lei de proteção da Mata Atlântica, sua vida deu uma guinada após receber a doação de um terreno. No início continuou a prestar serviços rurais, para se manter, equilibrando o tempo para investir em seu próprio terreno. Se tornou agricultor. Formou um bananal, canavial e plantou café. Construiu um alambique e a produção artesanal de cachaça foi a sua principal fonte de renda, por aproximadamente 30 anos.
Além de mestre alambiqueiro, Raimundo guarda a memória da história da região, guarda conhecimentos tradicionais fundamentais para a vida rural, como o conhecimento de madeiras, seu uso, localização e manejo, e a influência da lua na agricultura.


Robson de Oliveira Barbosa
Raposense nascido em 1975, Robson é fotógrafo há mais de 20 anos.
A vivência junto aos riachos e às cachoeiras da Serra do Gandarela em Raposos e os piqueniques na natureza quando criança, são uma das bases de sua formação e foi fotografando a natureza que ele desenvolveu o desejo de ser fotógrafo profissional. Hoje, além de registrar a natureza/paisagens, luta pela causa ambiental.
Começou a fotografar na época do filme de rolo, de 36 poses. É autodidata, ia para o mato fotografar natureza, levava livros de fotografia e experimentava até obter o efeito igual. Foram muitas tentativas até conseguir, muitas vezes aproveitava apenas três das 36 fotos. E quando obtinha sucesso tinha o prazer de compartilhar com a família e os amigos.
Seu trabalho tem duas vertentes: documentar a natureza e o patrimônio cultural.
“A fotografia é uma máquina do tempo que guarda a memória das pessoas. Ao mesmo tempo que guarda as memórias da cidade, ela guarda a vida das pessoas”
Fotógrafo especializado na história e na cultura, um de seus interesses é preservar a memória: de onde a gente veio? porque a gente está aqui? porque eu sou assim? porque o meu estilo de vida é este?
Além de deixar sua obra fotográfica, como herança, também atua em projetos sociais para formar novas gerações de fotógrafos.
Contato: (31) 98863-1471 Instagram@robsondig


Ronaldo Antônio Alves de Oliveira Júnior
Nascido em Santa Bárbara em 3 de novembro de 1989, Ronaldo, aṕos onze anos trabalhando na mineração, iniciou sua jornada com a criação de abelhas com e sem ferrão, motivado por sua conexão com a natureza. O que começou como um hobby, com o passar dos anos se tornou o seu principal meio de vida.
Em 2017 nasceu o Flor de Mel Apiário e Meliponário, capitaneado por Ronaldo, sua esposa Stephanny Dias e sua filhinha Manuela Dias, que é uma entusiasta das abelhas. Além de abelhas do gênero Apis (popularmente conhecida como Europa), criam abelhas sem ferrão nativas (meliponas), como Jataí, Mandaçaia e Mandaguari. O trabalho vai além da produção de mel, envolve o cuidado com as colméias, sua multiplicação, a preservação da flora, sempre destacando a importância das abelhas para a polinização e equilíbrio ambiental.
A empresa oferece, além de mel, própolis e produtos artesanais, experiências em meliponicultura, palestras e atividades educativas para públicos diversos com a intenção de aproximar a população do universo das abelhas e conscientizar sobre a importância da preservação ambiental.
Ronaldo capacitou-se como analista sensorial de mel pela Academia Brasileira de Sommelier de Mel, é vice presidente da Arapias (Aroeira Apicultores Associados, sediada em Cocais, distrito de Barão de Cocais, cidade vizinha), diretor de turismo e agronegócio da ACISB (Associação Comercial e Industrial a Bárbara), vice presidente do COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) de Santa Bárbara.
Em 2026, foi um dos ganhadores do Mérito Empresarial de Santa Barbara.


Rosimeire Aparecida do Espirito Santo Silva
Rosimeire é cozinheira há mais de 30 anos. Já foi empregada da Vale e trabalhou em hospital. Começou a se dedicar à cozinha quando seus filhos eram pequenos e precisava ficar em casa e auxiliar na geração de renda da família. Aprendeu com sua mãe, pesquisando em livros de receitas e na internet. Ama fazer bolos
As quitandas e os doces são sua fonte de renda. Produz bolos caseiros, bolos confeitados para festas, pães, biscoitos, doces e salgados.
Construiu uma lojinha em sua casa, vendendo nela, por encomenda, e através da página no Instagram @meirebolos.
Participa da feira mensal do Projeto Movimenta Raposos.


Sebastião Eugênio de Lima (professor Lacy)
Sebastião Eugênio de Lima, mais conhecido como professor Lacy, é escritor, autor de romances, poesias e ensaios filosóficos, além de música popular brasileira e samba enredo para escola de samba. Professor de física e matemática, dá aulas particulares e online, e cria vídeos curtos para o Tik Tok, onde possui 58 mil seguidores.
Nasceu em Rio Doce, na Zona da Mata (MG), em 28 de outubro de 1952, e se mudou para Rio Acima em 1967, quando tinha quinze anos de idade.
Em 1970 foi diretor social do Rioacimense Esporte Clube onde promovia bailes ,horas dançantes e carnavais de clube. Em 1984 participou do primeiro Festival de Música do município como um dos organizadores. Com medo de um número baixo de inscrições, compôs três músicas e uma delas, Dom Quixote Contemporâneo, foi classificada para a final. Em 1974 fizeram um segundo festival.
Compôs sambas enredo para as escolas de samba de Rio Acima, Unidos do Guarani, na década de 80, e para a Mocidade Independente Palmares, nos anos 90. Além de compor, era o carnavalesco destas escolas, escolhia o tema, elaborava os carros alegóricos e organizava as alas.
Em 1982, quando trabalhava no Iraque na empresa Mendes Júnior, participou de um festival de cultura promovido pela empresa, e foi o vencedor na categoria "contos", com a obra "Berço de Palha" que, posteriormente, se tornou o primeiro capítulo do seu primeiro romance. intitulado “Nas voltas que a vida dá”, uma mistura de ficção e realidade, no qual cita locais e personagens de Rio Acima, com intuito de divulgar a cidade. Depois disso, escreveu mais cinco romances.


Shirley de Fatima Pereira Pedro
Nascida em 20 de dezembro de 1975, em São Paulo, Shirley retornou com seus pais e irmão para uma propriedade rural de seu avô em Barão de Cocais, na região de Água Limpa. Plantavam, vendiam hortifruti nas feiras do produtor e na merenda escolar. Trabalhava com a família na terra durante o dia e à noite fazia artesanato com cabaça, sementes, cerâmica, crochê. Juntava as peças e trazia para vender na Casa do Artesão, da qual é associada, e no momento funcionária. Vendia também nas feiras do produtor rural, no tempo em que a Emater promoveu a participação. Suas principais peças são bonecas negras feitas com cabaça e biscuit. Desde criança sempre quis ter uma boneca e viu nas cabaças a combinação completa para realizar seus sonhos.
Shirley dá aula de artesanato - tear, crochê e pintura artística em vários materiais (tecido, tela, madeira) - no formato de oficinas para pessoas da Terceira Idade, em projetos com recursos do Fundo do Idoso. Também deu aulas em projetos voltados para crianças e adolescentes.
Ela conta que antes do Terrorismo de Barragem, iniciado com a evacuação da Comunidade de Socorro, em função da Barragem Sul Superior da mina do Gongo Soco, a Casa do Artesão recebia muitos turistas e vendia “igual água”. Com o medo gerado e com o avanço da atividade minerária no entorno de Barão de Cocais a cidade deixou de ser atrativa. Poucos ônibus e vans de turismo passam pela cidade, a caminho de outros atrativos, como Brumal e o Santuário do Caraça. São poucos os grupos de turistas que visitam a Igreja Matriz de São João para fazer fotos e passam rapidamente pela Casa do Artesão, que é em frente. Com isso as vendas despencaram.
Ela conta da origem africana -seu bisavô que foi uma pessoa escravizada - e indígena da família. Foram instigados a buscar sua origem devido à disputa com a Vale, que ameaçava tomar posse de parte do terreno, que faz divisa com a Mina do Gongo. Conseguiram comprovar a posse com documentos garimpados em cartórios e batistérios, comprovando a compra da terra por seu avô.


Solange Ribeiro Pimenta
Solange nasceu no dia 25 de março de 1973, na Vila Santeiro, bairro localizado na zona rural de Rio Acima. Trabalhou como doméstica e trabalha como monitora de transporte escolar. É responsável pela Doçaria Mãos do Santeiro, especializada na produção artesanal de doces e quitandas tipicamente mineiras, preservando receitas tradicionais que passam de geração em geração desde 1940.
A Doçaria produz doces de frutas, doce de leite, ambrosia, geleias de frutas, geleia de mocotó, licores, broinha, pães e bolos. Uma parte da produção é destinada a buffets de pousadas e restaurantes da região. Outra parte vendida em feiras, pelas redes sociais e na lojinha de produtores locais do Programa Rio Acima Produz, frequentada por turistas e pessoas da cidade também. Atualmente, sessenta por cento da renda da casa vem da doçaria.
A tradição de produção de doces remonta sua avó, Maria Maia da Silva, principalmente o doce de goiaba feito no fogão à lenha. Inicialmente a produção era apenas para consumo da família. Sua filha Ana Pereira da Silva Ribeiro transformou a tradição em fonte de renda. Com o sucesso e aumento da demanda pelo doce de goiaba, Ana passou seu conhecimento para suas filhas Luciana e Solange.
Desde os 14 anos (1987) Solange faz parte desta tradição, ajudando a avó e a mãe na colheita e limpeza dos frutos para preparação dos doces. O município possui muitos pés de goiaba pelas matas onde eram coletadas as frutas.
O reconhecimento veio em 2022, quando o modo de fazer doce de goiaba da Vila Santeiro foi registrado como bem cultural imaterial do município (Decreto nº 190, de 19 de dezembro de 2022), por ser uma referência da cultura alimentar local.


Solange Terezinha da Cunha
Solange nasceu em 1979 e sempre residiu em Campo Grande, comunidade rural de Barão de Cocais.
Desde 2013 é funcionária pública. É responsável pela organização da festa da padroeira e foi sua cunhada, Maria das Dores, então coordenadora da festa, quem a convidou para ajudar na organização. A coordenação mudou para Emília e dela para Solange.
As iniciativas de turismo contribuíram para valorizar as histórias e tradições locais, e ela é uma das guardiãs de parte desta história.
Seu pai, Arcino da Cunha, falecido, era carvoeiro e tropeiro, e também músico, compositor de duas canções que ainda são lembradas. Tocava violão e, após um acidente com a mão, passou a tocar cavaquinho. Juntamente a seu filho José Maria da Cunha, que assumiu o violão, e com Ismael, sanfoneiro, foi um dos fundadores do Coral de N. S. da Conceição, que continua ativo tendo Solange como uma das integrantes.
Solange relembra a época em que era comum realizarem forrós, animados pelo violão, cavaquinho e sanfona, cada dia na casa de uma pessoa diferente da comunidade. Eram comuns também os desafios. Arcino e Geralda, mãe de Solange, cantavam desafios e improvisos, sendo convidados para festas e casamentos.
A festa da padroeira acontece uma vez por ano, em dezembro. Antes da construção da igreja, inaugurada nos anos 90, era a Festa de Santa Cruz, realizada aos pés do cruzeiro. A cada ano uma família era escolhida como festeira. Seus pais foram festeiros e se dedicaram muito à festa, desde este tempo. A partir da inauguração da igreja, a padroeira passou a ser N. S. da Conceição.
Arcino foi casado duas vezes. Sua primeira esposa era filha de Maria Florentina, que foi por muitos anos responsável pela manutenção da tradição da festa da padroeira vinda dos seus avós, sua importância foi tanta que, em reconhecimento, seu nome foi dado à praça em torno da igreja.
Segundo Solange, o formato da festa varia. Às vezes fazem a novena, às vezes o tríduo (três dias de oração). No último dia, domingo, é levantado o mastro com a bandeira, tem missa, procissão, carreata e a festa cultural com barraquinhas, bingo e show.
As comunidades vizinhas como as de São Gonçalo do Rio Acima e Córrego da Onça (Barão de Cocais) e de Galego (Santa Bárbara), participam das festividades.


Valnise Iglésias Loureiro Almeida
Valnize nasceu em Braúnas de Guanhães (MG), em 17 de maio de 1953. Sua adolescência e juventude foram no Barreiro, Belo Horizonte. Após o casamento mudou-se para Rio Acima.
Formou-se em Artes Plásticas (Universidade do Estado de Minas Gerais) e se pós-graduou em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UEMG. Também se formou em Arte Terapia pela Integrarte.
A artista, que já realizou várias exposições individuais e coletivas, em Rio Acima, passou a explorar a riqueza das cores da terra. Pesquisou e desenvolveu tintas com pigmentos e terras coloridas encontradas no município e com elas pinta diversos materiais: telas, tecidos, vidros, cerâmica, madeira. Produz artesanato, incluindo panos de prato pintados e bordados à mão, e camisas, com forte inspiração na natureza, história, arquitetura e cultura local.
Valnise criou o espaço Terrinha das Artes, um lugar aconchegante, com muito verde e cultura, que recebe visitantes e turistas a partir de agendamento prévio. O Terrinha abriga o atelier da artista, onde se pode ver o seu local de trabalho e suas pesquisas com as tintas de terra; uma galeria de arte com amostras de mais de quarenta anos de sua carreira como artista plástica; uma loja com miniaturas de igrejas e casas, máscaras rústicas, camisetas pintadas com terra, cartões também pintados com terras e muitas outras lembranças de Rio Acima. O Terrinha das Artes também possui um museu onde um pouco da história de Rio Acima é contada, uma história que vai das peças de alfaiataria do patriarca de uma família, a instrumentos de mineração de ferro gusa e símbolos de fé. Abriga ainda uma biblioteca com centenas de livros.
Além de artista, ela é locutora na rádio comunitária Super Nova onde, no “Programa da Valnize Iglesias”, conta histórias de pessoas importantes de Rio Acima.


Vera Lúcia da Silva Mendes
Vera, nascida em Rio Acima, em 28 de outubro de 1964, é filha de Antônia Severiana dos Santos, benzedeira e raizeira. Antônia benzia erisipela, mau olhado, sol na cabeça, espinhela caída. Na época Vera debochava muito, não acreditava. Sempre dizia à sua mãe que um dia iria parar com um caderno para copiar as coisas que ela conhecia, os chás e para que serviam, porque via que faziam efeito. Porém sua mãe adoeceu e perdeu a voz. Vera ficou triste por não ter anotado o que ela sabia.
Quando descobriu que estava com COVID e pertencia ao grupo de risco – diabética, obesa, hipertensa, colesterol alto, doença metabólica – achou que iria morrer. Ao ficar isolada no quarto, descobriu na internet um professor de fitoterapia. Ele também estava com COVID e tudo que ele indicava ela começou a tomar. Assim, sem medicação alopática, conseguiu se recuperar. Passou a segui-lo, a pesquisar e estudar sobre as plantas medicinais. Aprendeu a fazer tinturas, pomadas, sabonete medicinal, creme dental. Assim, apesar de não ter aprendido com a mãe, foi a partir do fundo de ancestralidade que buscou e foi se aprimorando no conhecimento e na prática.
Hoje é conhecida e procurada pela vizinhança, e tem trazido para perto de si, como ajudante, sua neta, com o intuito de despertar o interesse e passar a ela os conhecimentos que adquiriu.


Vera Lúcia da Silva Pereira Carlos
Vera, nascida em 1959, é mantenedora, juntamente com sua família, de algumas tradições culturais centenárias de Morro Vermelho. Assumiu após o falecimento de seu pai – Enoque Pereira - a função de zeladora da Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e a organização do Aluá, manifestação cultural centenária de matriz afroindígena, realizada no distrito, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. Ela é guardiã das histórias e rituais que envolvem a celebração do Aluá, celebração que se distingue pelos cantos animados pelo o toque de pandeiros, chique-chique, caixas, tamborins (um tipo antigo de tambor) e da puíca, além da distribuição da bebida de mesmo nome.
O Aluá é considerada a manifestação cultural mais antiga de Caeté, remontando a 1650. No passado seus tios faziam a festa do Aluá todos os meses, e não apenas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. Vera é responsável pela feitura da bebida que dá nome à festa. O Aluá é uma bebida fermentada feita com abacaxi, farinha de mandioca e adoçada com rapadura.
A festa de N.S. do Rosário conta também, além do Tríduo (três dias de rezas) com missas, procissão, realização da Cavalhada Mirim e da Contradança, ao som da centenária Corporação Musical Santa Cecília, do Morro Vermelho.
A contradança é uma coletiva de origem européia, dançada aos pares. Atualmente são quatro pares dançantes, quase todos de sua família: filho, nora, neta e sobrinho. Ela e seu marido, José Egídio, eram dançarinos, ele titular e ela como reserva, na ausência de outra dançarina assumia. Os pares ficam dispostos em fila em frente uns aos outros e executam figuras geométricas e trocas de posição.
Vera faz parte, juntamente com sua família, da Irmandade Nossa Senhora do Rosário e da guarda de congo de Ravena, Sabará, ao qual eles se associaram, e que se apresenta na festa do Aluá.
Além disso, ela detém o saber do artesanato com palha de milho, aprendido com seus pais, para fazer bolsas, cestos e protetores de garrafa.





